Eu não me importo…
Bom, vou mudar um pouco de estilo hoje, e dizer, como um diário, como estou e como me sinto.
Exatamente hoje, a 8 meses atrás, eu conheci, beijei e me apaixonei por Marello.
Exatmente hoje eu sai daquela angústia, aquelas lágrimas por amores não correspondidos foram desaparecendo pouco a pouco e exatamte a 8 meses atrás eu sorri verdadeiramente pela primeira vez no ano.
Só quero agradecer hoje por ser tão sonhadora e tão feliz por mesmo longe, tê-lo por perto, por mesmo longe, tocar meu coração de tal forma assustadora.
A viagem de Marcello está praticamente no final e o que mais aumenta com passar dos dias é o medo.
Já acostumei com a saudade…
Virei irmã da solidão…
Prisioneira dos desejos…
E já sou refém do amor.
Para falar bem a verdade, já me importei mais com o nosso futuro, não digo isso por não amar, longe de mim… Mas eu meio que deixei nas mãos do destino mesmo. Dizem que tudo aquilo que é realmente seu, nunca se vai para sempre. Tento pensar desta forma hoje.
Desde o começo da viagem já passei por dezenas de momentos. Já transitei pela certeza do sim, pela certeza no não, pela incerteza do talvez. Já pensei em jogar tudo para o alto e também em agarrar tudo com as duas mãos. Já quis amar mais e odiar mais, já quis querer e também não ter.
Acho o destino meio engraçado às vezes.
Quando conheci Marcello eu estava desacreditada no amor, calejada no coração, e parece que Deus deu um jeitinho de colocar ele na minha vida para provar que o amor nunca acaba. Ele nos machuca, nos transforma de forma inacreditável, mas certamente, nunca acaba…
E assim Marccello se mostrou diferente. De todos de eu já havia conhecido, todos que eu já havia beijado. E de rependente quando dei por mim, já estava ligando para ele toda noite, já estava sonhando com seu olhar, desejando seu sorriso. Quando dei por mim, nenhuma outra pessoa me dava graça, ninguém mais servia.
Pode parecer loucura, precipitação e tudo que estiver passando na sua cabeça…
Eu não me importo.
Não me importo se quando ele voltar daqui à menos de 2 meses a gente se beijar e o beijo perder o gosto, porque ele me fez reviver de novo.
Ele se fez eterno durante o tempo que esteve presente e até durante o tempo que esteve ausente.
Marcello faz parte do meu passado, presente e futuro e querendo ou não ele me fez mulher, me fez mais eu…
Nunca precisei de ninguém para me completar, nem preciso, mas Marcello me acresentou algo que eu nem sabia que faltava em mim.
Enfim, posso escrever páginas sobre o que sinto e o que quero sentir por Marcello, e nada, absolutamente nada, conseguirá transcrever exatamente o que é amar esse garoto.
Sabia que não era uma boa idéia, sabia que ele ia partir e sabia que a dor seria grande, mas a nossa frase é:
” Opte por aquilo que faz teu coração vibrar… Whatever.”
Austrália
Jennifer Ocean caminha sozinha pela avenida dos amores. Seu coração é preso ao início de várias estradas, que vão ligando sentimentos a mundos e mundos a sentimentos. Porém, Jeniffer possui seu universo próprio, onde governa sem precedentes as palavras que escreve em blocos metalizados, as fotos dos inúmeros momentos noturnos onde vomita sua felicidade espontânea, as pessoas que passam pela maior de suas estradas e suas duzentas e nove formas de expressões, sejam ela vulgares ou apaixonadas. Meninos de festas, inclusive, dizem em depoimentos tolos que Jeniffer é uma atriz social, e em cada lugar despeja qualidades e defeitos diferentes. Mas para qualquer opinião alheia ela possui um argumento, e nunca nada do que se imagina é absolutamente concreto.
Apesar destas coisas, Jennifer Ocean possui felicidades calculadas, e para serem libertas basta pequenos ápices feitos com pequenas atitudes. Um doce de hospital a agrada tanto quanto um presente caro, um pequena mensagem de amor eletrônica a sacia tanto quanto um rio de letras molhadas, um sorriso qualquer de uma pessoa especial é tão equivalente a uma multidão de sorrisos especiais de pessoas quaisquer, e essa sua simplicidade se mistura com um orgulho burguês, formando uma prisma não identificado pelos estudiosos de garotas urbanas.
Uma de suas maiores felicidades é manter um mistério ocioso sobre sua vida. Ninguém conhece suas preferências, suas dores profundas e até seu nome é uma dúvida. A única coisa que permite o mundo inteiro saber é seu amor pela Austrália, de modo que, de todas a estradas presas ao seu coração, a que liga a América do Sul a Oceania é a mais movimentada. Por ela passam amores, choros, lembranças, beijos em aeroportos, frases convicctas e ultimamente gritos literários de seu sofrimento, que por sinal, também é misterioso. O motivo de tantos sentimentos engarrafados é Marcello, único ser no universo capaz de abrir seu planeta de incertezas e colocar loucuras impensadas em sua órbita.
Enquanto Marcello insiste em polir seu inglês, Jeniffer insiste em polir sua língua, beijando outros garotos que também nada sabem sobre ela. Eles sempre ficam alegres, saem contando histórias enquanto ela permanece trafegando apenas pela estrada australiana. Espera ansiosamente pelo mês, dia, hora, minuto e segundo em que Marcello pisará novamente em seu jardim, e fará as suas flores brotarem espontaneamente. Mas essa espera tem sido sofrida, dura, rica de pensamentos negativos, que cortam todas as plantas deste terreno, formando um deserto árido e pobre, onde não há um final especificado. Jeniffer apenas observa, enquanto lê apostilas de empresas.
E enquanto a vida insiste em permanecer assim, Jeniffer insiste em viver dentro das crônicas, por julgá-las como a única verdade do mundo. Foi em uma delas que viu, por acaso, o minuto mais sagrado de sua biografia: ela deitada na areia de uma praia deserta em Fernando de Noronha, enquanto Marcello toca “Fogo” em um violão desafinado. E de minuto em minuto Jeniffer vai construindo um tempo próprio, até o dia em que não haja mais estradas de distância.
Vinicus Mendes.

Filme Austrália
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